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sábado, 14 de abril de 2012

Voo da Águia

Debruçado, cismando, na janela.
 - Debruçado, cismando, na janela,
Disfruto o voo teu - altivo e forte -
Quando buscas a estrela do teu norte
E eu o oriente à minha estrela. 

- Sonhas altiva e eu humilde e glória,
Ambos no mesmo anseio, eterno, imenso...
Eu no sonhar o meu viver condenso.
Tu tens no voo - a esp`rança de vitória.

- Enquanto nesse anseio inconsciente
Tu queres voar mais alto, imensamente,
Que os teus inda voaram pelos céus,

- Eu busco noutros céus, inda mais belos,
A meta a que se votam meus enelos
Na adoração extática de Deus.

(9-XI-1920)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Diário Espiritual - Tempo da Quaresma



Prescreve S. Bento na sua Regra que, no princípio da Quaresma, o Abade dê a cada um dos seus monges um livro de leitura espiritual que lhe serva de alimento para a alma nesses dias de mais rigorosa penitência em que ele espera, com alegria do Espírito Santo, a Santa Páscoa.
O Frei Bernardo todos os anos recebia um livro escolhido, cuja doutrina procurava assimilar e praticar.
Em 1930 ele escreve no Diário Espiritual:


«Na quarta feira de Cinzas recebo de meu querido Pai espiritual o livro que devo ler durante a Quaresma e que é precisamente aquele que eu esperava há tanto desejava, Un maitre de la vie spiritualle de Dom Columba Marmion, esse querido Dom Columba que tanto me tem revelado e ajudado na minha vida monástica.
Leio, releio, medito esaboreio sem me cansar a dua doutrina vivida. Procuro avidamente apossar-me dessa doutrina alta, às vezes com certa gulodice espiritual...»


Do livro Vida de Amor 
(Cartas Frei Bernardo de Vasconcelos osb)


Edições: Ora & Labora
Mosteiro de Singeverga



Para adquirir um exemplar, enviar pedido para: amigosfreibernardovasconcelos@gmail.com

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Carta de XII-1928

As cartas falam mais...

«Tenho escrito e escrevo estas cartinhas tão somente para trocar impressões e para expandir afectos. Se nelas houvesse algum tom de repressão ou de cátedra - a culpa é minha só, mas a intenção as mais das vezes é boa.
Se alguma coisa estas letras têm de bom, então é Deus que põe na minha boca palavras de consolação e de bênção - e as graças são devidas a Ele.
Para mim é só gosto e até satisfação duma necessidade de expansão que sempre tive, e que sinto me vai crescendo agora com o exílio.»

(carta de XII-1928)

Do livro Vida de Amor 
(Cartas Frei Bernardo de Vasconcelos osb)


Edições: Ora & Labora
Mosteiro de Singeverga


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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Carta de 18-II-1929

É ele…
É ele que fala… é a voz da sua vida:­ - vida do corpo-hóstia, vida da inteligência, vida da vontade, vida da divina graça, vida de amor…
Falou mostrando o Ideal Cristão, revelando a Vida na Paz, rezando a Missa e a Vida Interior, celebrando as Nossas Festas, contando a Vida de S. Bento às almas simples, entoando na terra, para cantar no céu, o seu sublime Cântico de Amor.
Falou vivendo… vida de amor, Fala ainda, em íntimas confidências, em seu Diário Espiritual e nas suas múltiplas e variadas Cartas.


O seu diário Espiritual fala, reza… Mas pouco diz…

«E é um pouco por isso, sabe? – que aquele livrinho para as notas mais íntimas está muito vazio de há tempos a este parte. Lembro-me que vão mais tarde descobrir aquilo e não me atrevo…  « a passar para a imortalidade». Não vai nisto censura alguma para os que o fazem, que tiverem certamente razões fortes para isso. Eu só quero dizer que temo o demónio do orgulho que é tão subtil.»

(Carta de 18-II-1929) 


Do livro Vida de Amor 
(Cartas Frei Bernardo de Vasconcelos osb)


Edições: Ora & Labora
Mosteiro de Singeverga


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sábado, 17 de dezembro de 2011

Natal 20-XII-1925

Natal

A solenidade do Natal leva-o em pensamento até junto da família, que chora ainda a perda do seu chefe[Dr. Manuel Joaquim da Cunha Maia Teixeira de Vasconcelos, pai de Frei Bernardo], e sugere-lhe uma resolução delicadíssima.

E lembrei-me de lhes dizer, que, se querem tornar mais viva a minha presença, mais real o desejo, que é de todos, de nos unirmos em tal noite, podem fazer num prato uma ração como se para mim fora, e dá-la em meu nome a um pobrezinho, que a coma consolado, com a simples obrigação de rezar nessa noite e no dia seguinte uma oração muito especialmente por aquele que há pouco nos deixou.
Nos nossos mosteiros costuma fazer-se outro tanto durante uma temporada, quando falta algum monge para sempre. É uma cerimónia muito significativa e ao mesmo tempo um excelente pretexto de exercer a caridade. Serão as minhas boas festas....

Carta de 20-XII-1925 / II-Os Estudos
Vida de Amor